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VICE-PRESIDENTE, MOURÃO DIZ QUE ORÇAMENTO SECRETO É MANOBRA QUE BENEFICIAR BASE

Mourão disse entender que há uma diferença fundamental entre o orçamento secreto e o mecanismo do mensalão

O vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) afirmou, em entrevista ao portal de notícias UOL, considerar que o "orçamento secreto" —nome dado às emendas de relator, que dificultam a transparência na destinação de verbas públicas— são uma "manobra" que, na prática, acabam beneficiando "aqueles que apoiam o governo" do presidente Jair Bolsonaro.


Por outro lado, Mourão disse entender que há uma diferença fundamental entre o orçamento secreto e o mecanismo do mensalão, escândalo que ocorreu em 2005 durante a gestão do ex-presidente Lula. Na visão dele, o mensalão era "dinheiro na mão", vivo, para compra de apoio político.


"É totalmente diferente. O mensalão era dinheiro, como dizia... Quando eu morei na Venezuela, eu era adido militar lá, havia o auxiliar do adido da República Dominicana que dizia que o Hugo Chávez comprava os parlamentares a 'billete limpio'. Ou seja, colocava o dinheiro na mão", declarou o general.

A entrevista foi concedida nesta quarta-feira (17), em Brasília, às jornalistas Carla Araújo e Fabíola Cidral, do UOL.


"O mensalão era dinheiro na mão. É diferente isso aí [em referência às emendas de relator-geral]. Isso aí é o uso do Orçamento, de manobras orçamentárias, em benefício daqueles que apoiam o governo", completou.


A execução do orçamento secreto passou a mobilizar a Câmara dos Deputados em meio à votação da PEC dos Precatórios, proposição que altera a Constituição para postergar o pagamento de dívidas judiciais, flexibilizar as regras do teto de gastos e, dessa forma, abrir espaço orçamentário a fim de financiar a criação do Auxílio Brasil —programa que substitui o Bolsa Família.


A PEC dos Precatórios, aprovada na Câmara e agora em análise no Senado, vem sendo chamada por opositores e por setores da sociedade que são contrários ao projeto de "PEC do Calote", pois permite ao governo federal adiar o pagamento de dívidas incontestes.


Além disso, sua aprovação é vista por economistas, investidores e segmentos políticos como um furo do teto de gastos, levando o país a uma situação de instabilidade e risco fiscal.


Na visão de Mourão, dentro da conjuntura atual, a postergação do pagamento de precatórios é uma medida necessária. O vice-presidente diz ser um crítico dos cálculos que compõem as regras do teto de gastos e compara eventuais distorções do modelo com a "teoria da pizza”.


“A pizza aumenta X, mas tem fatias que aumentam Y, sendo Y maior do que X”.



Fonte: UOL

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