Primeira figura pública a defender candidatura do PT para mandato-tampão Waldeck Carneiro desagrada Paes por querer PT protagonista
- RJ

- 19 de jan.
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Em movimento que agita os bastidores da política fluminense, o ex-deputado sugeriu o nome de André Ceciliano para a eleição indireta de abril, visando fortalecer a reeleição de Lula.

Com a iminente renúncia do governador Cláudio Castro (PL) para disputar o Senado, o cenário político do Rio de Janeiro começa a se redesenhar para a eleição indireta que deve ocorrer em abril na Assembleia Legislativa (Alerj). Em meio a articulações de diversos campos, o ex-deputado estadual Waldeck Carneiro utilizou suas redes sociais para defender que o Partido dos Trabalhadores (PT) não abra mão de uma candidatura própria para o mandato-tampão.
Programa próprio e demarcação de campo
Para Waldeck, a participação do PT no pleito indireto é uma necessidade estratégica para que a legenda apresente um programa de governo que dialogue diretamente com as demandas da população fluminense. O ex-parlamentar argumenta que o partido precisa usar esse espaço para se diferenciar claramente das correntes que ele classifica como "neofascismo" e "neoliberalismo", que, segundo ele, têm dominado a gestão estadual nos últimos anos.
"É fundamental que o PT tenha candidatura e programa próprios. Precisamos demarcar campo e oferecer uma alternativa que se oponha ao modelo neofascista e ao modelo neoliberal que tanto prejudicou o nosso estado", afirmou o ex-deputado em sua postagem.
O nome de André Ceciliano
Como opção para a disputa, Waldeck defendeu o nome do ex-presidente da Alerj e atual secretário do Ministério de Relações Institucionais, André Ceciliano. O nome de Ceciliano é visto por uma ala do partido como natural, dada a sua experiência na articulação política junto aos deputados estaduais — que serão os eleitores neste processo indireto.
O grupo que apoia Ceciliano sustenta que uma candidatura forte agora não é um movimento de isolamento, mas sim uma tática de fortalecimento para 2026. O argumento central é que uma eventual vitória ou uma votação expressiva no colégio eleitoral da Alerj valorizaria o capital político do PT no estado.
Aliança com Eduardo Paes no horizonte
Diferente de uma ruptura, a defesa da candidatura própria no mandato-tampão é vista como tática para fortalecer o PT e a candidatura de Lula, em face das inúmeras demonstrações de vacilação de Eduardo Paes e de seus correligionários, que dão sinais de se colocar em posição de certa neutralidade na campanha presidencial. A ideia é que um PT fortalecido e com protagonismo administrativo ou político no Palácio Guanabara ajudaria a impulsionar, sem hesitações, a campanha de reeleição do presidente Lula.
Além disso, o movimento visa garantir um palanque sólido e estruturado para a reeleição do presidente Lula em 2026, evitando que a máquina estadual permaneça sob influência total de grupos de direita durante o período eleitoral.
Paes não gosta de idéia
Eduardo Paes fez críticas públicas recentes ao grupo político liderado por Rodrigo Bacellar (União Brasil), presidente afastado da Alerj, e associou figuras do PT — especificamente André Ceciliano — a esse grupo.
De acordo com o cenário político e as discussões recentes, os principais pontos da fala de Paes são:
Rejeição ao "Cercadinho" da Alerj: Paes afirmou que não aceitará ser "refém do mesmo grupo que hoje dá as cartas no governo de Cláudio Castro". Ele se refere ao controle político e orçamentário exercido pela cúpula da Assembleia Legislativa (Alerj), liderada por Bacellar.
Associação PT-Bacellar: O prefeito associou politicamente André Ceciliano ao grupo de Rodrigo Bacellar. Paes vê com desconfiança a proximidade histórica e as articulações entre Ceciliano e o atual presidente da Alerj, temendo que essa aliança possa isolá-lo ou forçá-lo a negociações desvantajosas em uma futura gestão estadual.
Crítica à "Extorsão" Política: Paes sugeriu que a relação atual entre o Executivo (Governador) e o Legislativo (Alerj) é marcada por pressões excessivas. Ao declarar que não será "refém", ele sinaliza que pretende governar o Rio de Janeiro com um modelo de articulação diferente, diminuindo o poder de barganha do grupo de Bacellar e, por extensão, de seus aliados no PT.
No entanto, no último período, Paes fez diversos acenos a Cláudio Castro, Altineu Cortes e Silas Malafaia, todos bolsonaristas. Em entrevista recente, não desautorizada por Paes, seu vice-prefeito criticou Lula, o PT e defendeu posição de neutralidade em relação à eleição presidencial. Sobra contradição.






















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