AUDIÊNCIA PÚBLICA DA ALERJ APONTA PROBLEMAS SOCIAIS COMO AUMENTO DA VIOLÊNCIA NA GRANDE TIJUCA
- Alana Oliveira

- 29 de mai. de 2023
- 3 min de leitura
Comissão de Segurança da Assembleia pede explicações à Prefeitura do Rio sobre os R$ 20 milhões doados pela Casa para investimento na área da Assistência Social

A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) enviou ofício à Prefeitura do Rio de Janeiro para esclarecer o destino dos R$ 20 milhões - economizados do orçamento do Legislativo - doados em novembro de 2021 ao Fundo Municipal de Assistência Social da cidade. O assunto veio à tona durante a audiência da Comissão de Segurança Pública e Assuntos de Polícia, realizada nesta segunda-feira (29/05), no plenário da Casa, que teve como tema o avanço da violência na região da Grande Tijuca. Moradores da área que engloba Tijuca, Vila Isabel, Andaraí, Grajaú, Alto da Boa Vista, Praça da Bandeira, Maracanã, Mangueira, Rio Comprido e Estácio apontaram problemas sociais como causas dessa situação, pontuando, por exemplo, o crescimento da população em situação de rua como um dos fatores que geram sensação de insegurança.
Presidente da Associação de Moradores da Grande Tijuca, João Alberto Brito falou sobre esse cenário de preocupação. “Muitos problemas, antes de serem de Segurança Pública, são de origem social. Você pode sair à noite e vai ver uma legião de pessoas andando com sacos nas ruas. Elas não são culpadas, são vítimas, mas nessa situação com o tempo se tornam um caso de segurança”, disse, destacando o trabalho das forças de segurança que atuam na região.
O presidente da Comissão de Celeridade Processual Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ), Pedro Otávio Pereira, também é morador da Tijuca e igualmente aponta para a necessidade de um olhar social sobre a questão. “Sou morador da Tijuca e esse é, de fato, um problema social. Antes de acionar a polícia, tem que analisar o problema social e ver como ajudar essas pessoas em situação de rua”, comentou.
O deputado Márcio Gualberto (PL), presidente do colegiado, lembrou que em 2021 a Casa fez a doação de R$ 20 milhões para a prefeitura carioca e o recurso deveria ter sido usado na área social. “A Alerj já encaminhou na última sexta-feira um ofício para a Prefeitura do Rio perguntando como esse recurso foi utilizado e agora estamos no aguardo da resposta”, disse o parlamentar.
Crimes de depredação e ferros-velhos
Também morador da Tijuca, o deputado Rodrigo Amorim (PTB) apontou o aumento dos crimes considerados de depredação. “Nós percebemos que esses crimes de roubo de portão, de hidrômetro, de fios têm aumentado. Claro que isso faz parte de todo um diálogo que temos estabelecido nesta Casa e é algo que precisa ser enfrentado. A Tijuca vive esse drama que causa essa sensação de insegurança e gera o clamor da sociedade”, disse o parlamentar, lembrando que parte desses materiais vão para ferros-velhos da própria região.
A deputada Martha Rocha (PDT) apontou que a legislação prevê a atuação da Polícia Civil nesses casos. “Eu tenho duas leis que tratam exatamente sobre a questão de roubo de metal, fios; uma delas determina medidas administrativas permitindo que a Polícia Civil faça o cadastro e fiscalize também os ferros-velhos, e a segunda lei estende para a Delegacia de Serviços Delegados a atribuição também para essa investigação específica”, observou a deputada.
O delegado titular da 19ª Delegacia de Polícia da Tijuca, Hilton Pinho Alonso, apontou os avanços da unidade. “Nos primeiros cinco meses deste ano a nossa DP ficou na liderança em número de indiciamentos em todo o estado. A polícia como um todo vem trabalhando muito fortemente e vamos sempre lutar pela redução da violência na região. Nosso trabalho é sempre melhorar”, disse o delegado, cintando ainda os crimes de baixo potencial ofensivo.
Comandante do 6º Batalhão de Polícia Militar (BPM), o tenente coronel Ivan Souza Braz falou da interação positiva entre a unidade e a população. “O povo tijucano é participativo e exige excelência do nosso trabalho. Todos buscam estabelecer pontes conosco para que possamos conhecer cada microrregião da Grande Tijuca, cuidando dos problemas dentro de suas especificidades. Hoje, estou em 26 grupos de Whatsapp que são fundamentais para ter proximidade com a população. Hoje, temos um batalhão com expertise em proximidade”, disse Braz.






















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